Carta aberta ao pessoal da IMBEL-FI

CARTA ABERTA – MICHEL P. ZYLBERBERG

A história da minha vida confunde-se com a história do meu pai na Imbel-FI. Assim como a de cada um de vocês que constroem a cada dia um caminho de superação e união, desafiando todos os tipos de desafios.

A liberdade de criança pulando de casa em casa brincando de pique-esconde, andando de bicicleta na chuva, todo sujo de barro. Remotas lembranças do cinema e grandes lembranças dos rachas na quadra e alguns nos campos.

Mudanças de casa, famílias e amigos que vinham e iam na velocidade do tempo – que corria rápido e incontrolavelmente.

Festas no 16 de Julho, sanduíches no Rita, cafés da manhã no Fregueti, pizzas no Joaquim, carnes no Raimundo, reuniões na pracinha. Sempre caindo, levantando e aprendendo com os erros. Inesquecíveis e incontáveis lições de vida.

Escolas, faculdades, idas, retornos… sempre me sentindo em casa, reencontrando os amigos com a mesma felicidade. Poucas lágrimas, muitos risos. A perda de alguns, que mesmo mais velhos me tratavam com respeito e carinho.

Quando eu caminho pelas ruas da Imbel, sinto o Leonir caminhar em passos lentos acenando um alô sempre gentil… sinto o Campos que passa no carro com um sorriso amigo. Sinto a presença de todos que tiveram o prazer de viver nesse lugar tão especial.

Em tempos de violência e solidão, a Imbel resiste como um lugar quase sempre de paz e amizade. Para mim nunca foi um bairro, algo sem vida. Foi sim uma grande família, onde me sentia protegido e tranqüilo.

Digo sempre que aprendi a viver com o Leco, Léo,  Vardo, Porco, Nego e todos desta turma. E por todos eles tenho e sempre terei um carinho imenso. Aprendi desde pequeno que o preconceito não leva a nada e que o respeito é a coisa mais importante da vida.

Os rachinhas na quadra com o Chicão e todo pessoal era além de tudo um refúgio de todos os problemas, onde a cabeça esvaziava e as energias se recarregavam.

Queria jogar como o Juninho Japão ou seu pai ou batalhar pelos objetivos como o Binho, mas aprendi quando era hora de sentar no banco ou até mesmo nem isto. Basta enxergar  e aprender a lição do momento.

Vi o Avelino quase morrer no hospital e novamente vencer pela grande força e luz. Vi o Rita fraco, o mesmo Rita que infernizava os adversários com uma bola no pé e que dançava leve um sambinha esperto.

As suas famílias precisam de vocês, assim como todos nós! E que família essa do Ritinha… saudade de todos! Espero que não se esqueçam do exclusivo X-Alemão e deixem umas latinhas para mim no freezer.

Acho que atrapalhei algumas noites de sono dos visinhos com as minhas festas, mas também aproveitei bastante com vocês e ajudei sempre que pude. Mesmo assim peço desculpas.

Vi um menino inseguro, tímido, muitas vezes inconseqüente, tornar-se um homem corajoso. Ganhando o mundo e batalhando mais a cada dia pelos objetivos. Este sou eu, sempre um eterno menino.

Meu grande ídolo, meu guerreiro preferido, meu maior mestre é conhecido por vocês por Coronel Alte. Eu posso ter o privilégio de chamá-lo de Pai. O melhor Pai do mundo.

Assim como um exemplo em casa, sempre foi um homem batalhador, por uma fábrica que brinco às vezes ser como uma filha sua. A minha irmã mais nova, chamada Imbel.

Ele, que se dedicou tantos anos ao crescimento da Fábrica, deixava saudade em casa trabalhando incontáveis horas extras e até mesmo fins de semana. Mas temos uma família maravilhosa e unida que superou tudo isso na maior tranqüilidade.

Todo o tempo dedicado à Imbel nos mostrou que se você veste uma camisa, deve defendê-la com todas as suas forças. E isto, com certeza, meu Pai fez o melhor que pode!

Fez e ainda faz, mas um dia ele terá que partir. Deixar o comando da Fábrica, deixar Itajubá, deixar os frutos de uma árvore que com muito cuidado tornou-se firme e forte. Base sólida, belas flores e grandes frutos.

Outros comandantes virão, mas com certeza o seu nome estará escrito na história e seu rosto enquadrado na sala da Superintendência. E ficará para sempre marcado nas muitas vidas que ele ajudou, quando tinham dificuldades.

Meu pai não só administrou a Fábrica, mas também cuidou dos funcionários e parentes. É, além de um profissional exemplar, um grande amigo. Alguém que ama jogar futebol, sofre com o Fluminense e quer o bem-estar de todos.

Casei há alguns dias atrás aqui na Suíça com uma italiana. Senti, mesmo de longe, o carinho de todos que fizeram parte da minha vida.

Não gosto de citar nomes porque é sempre injusto, porque são tantas pessoas especiais que fica impossível falar de todas. Mas mesmo sim arriscarei alguns: Luiz ‘ratinho’, Cláudio ‘Radião’, Maia, Didio, Rita, Denise, Barbudo, Paulinho carioca, todos da segurança, oficiais… enfim, todos que me trouxeram até aqui.

E, daqui alguns meses ou anos, tenho a certeza que me sentirei de novo em casa quando voltar para Itajubá. De carro ou descendo do ônibus na ponte da Rodovia, com o sorriso de sempre no rosto e uma maravilhosa paz no coração.

Porque a Imbel será sempre a minha casa. E vocês, minha grande família.

Obrigado por tudo!

Felicidades,

Michel P. Zylberberg (Alemão)

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